
Já parou para pensar que nem sempre o que nós queremos, o que nós ambicionamos, é certo ou alcançável?
Nunca entendi muito bem o amor. Todos falam que amar é bom, nos deixa feliz e com os olhos brilhando, é a coisa mais próxima que tempos da magia. Entretanto também falam que sem dor não há o amor, mas isso é um total paradoxo, porque se for assim nós queremos sofrer porque queremos amar, ou seja, sentir algo muito bom.
E também dizem que quando você se apaixona nunca mais vai pensar em outra mulher ou homem, você vai amá-la para todo sempre é o que dizem na igreja “até que a morte os separe” e você olha nos olhos de seu amor e responde “sim”. Agora que entender então porque as pessoas se divorciam?
Era isso que se passava na cabeça de Estela, uma garota de 16 anos, ruiva com os cabelos perfeitamente cacheados que caiam pelos seus olhos indo até sua cintura, olhos verdes cor de esmeralda. Sua boca era carnuda e parecia ter sido desenhada e pintada de uma cor rosa claro e em seu rosto tinha algumas sardinhas espalhadas em cima de seu nariz e algumas em sua bochecha.
Lágrimas escorriam pelos seus olhos se dirigindo algumas vezes até sua boca e outras delineavam suas maçãs do rosto e iam até o fim de seu queixo delicado e caiam em cima de seu caderno, onde neste escrevia sobre suas alegrias, duvidas e, de agora em diante, suas tristezas.
Estela estava deitada em sua cama com o caderninho ao seu lado para poder escrever e a sua frente colocara três fotos que a fizera ver como tinha pistas por todos os lados e apenas ela não quis ver.
Em uma das fotos tinha o nascimento de seu irmãozinho, Josh, aquele dia ela se lembrava bem, mesmo tempo apenas 4 anos de idade.
Sua mãe engravidara por sua causa, Estela queria um irmãozinho ou uma irmãzinha assim como muitos de seus amigos no colégio. Ela não se importava de ter de dividir a atenção de seus pais com ele, ela até ajudaria a mãe a contar historias para o bebê.
Na foto estava ela, ao lado da cama de hospital com a mãe deitada nela. Sua mãe, Rosa, era loira de olhos cor de mel com cabelos cacheados como o de Estela e tinha 1,70m e bem magrinha. Do outro lado da cama estava seu pai, Otavio, ele era ruivo assim como a filha, seus cabelos eram lisos e seus olhos eram verdes com um pouco de mel e tinha um sorriso maravilhoso.
Seus pais se olhavam apaixonadamente e Estela olhava para Josh, que dormia no colo de sua mãe. Quem havia tirado a foto da família tinha sido uma das enfermeiras que logo ficara amiga de Rosa.
Na segunda foto era no10 aniversário de Estela, ela estava vertida como a Bela, de Walt Disney, e ao seu lado estava seu irmãozinho, com 6 anos, que a ajudava a apagar as velas do bolo. Mas agora seus pais estavam sorrindo, mas era um sorriso forcado e sem vida, porém estavam abraçados.
Já na ultima foto, que havia sido tirada há apenas 6 meses, Rose e Otavio estavam um de cada lado dos filhos, que estava no meio, e abraçavam um deles, como se o quisesse para si e o outro quisesse pegá-lo.
Estas fotos foram só um aviso, Estela dizia a si mesmo. Aqueles últimos 6 anos foram feitos de falso amor entre seus pais, nas fotos já estava bem explicito o que iria acontecer, ou melhor, o que aconteceu.
Não consegui tirar da cabeça à noite em que eles contaram para ela a verdade.
Era a ultima semana de férias, as melhores que ela já tivera. Ela se preparava para dormir quando seu pai a chamou para ter uma conversa com ela na sala.
Chegando lá viu que sua mãe estava com uma expressão seria no rosto e com uma expressão de choro sentada no sofá. Seu pai estava andando de um lado ao outro da sala de visitas, ele parecia nervoso como se procurasse as palavras certas a dizer. Algo ruim acontecera, disso Estela tinha certeza.
- O que acontece? – Estela perguntou com os olhos vidrados no pai e na mãe.
- Não sei muito bem como falar isso para ela, Rosa.
Estranho, seu pai nunca chamava sua mãe de Rosa, à menos que eles estivesse bravo.
- Meu anjo. – começou sua mãe. – sente-se aqui ao meu lado. – assim que Estela sentou sua mãe continuou. – Seu pai e eu estamos passando por uma situação difícil e infelizmente isso irá te afetar. Estamos nos desentendendo muito.
Estela nunca os ouviu gritarem nem os viu discutindo.
- Assim resolvemos que seria melhor nós nos separarmos.
Quando sua mãe disse aquela ultima palavra Estela ficou em choque, “separarmos” isso ficava ecoando em sua cabeça. Ela logo buscou o significa daquela palavra, para ver se podia ser mesmo verdade ou era só outra troca de palavras “Aquilo que separa; Afastamento; Cessação de amizade; Quebra de união conjugal.” Não esta tudo errado, não podia estar acontecendo, mas ela sabia que nada poderia ser feito.
Ela não podia chorar, tinha 16 anos e tinha que agir como uma adulta, tinha que ser forte, se não fosse por ela, que fosse pelo seu irmãozinho com 12 anos. Deixe que ele chore, Estela pensou, ela chorará por nós dois.
Aquela situação no mundo de hoje não era incomum, tinha amigos com pais separados, mas ser a pessoa que tem pais separados é diferente do que apenas saber que existe. Vivenciar é diferente se saber.
Uma lagrima escorrera pelos olhos de Estela. Ela então se levantou, deu um abraço em sua mãe, seu pai.
- Entendo. Quando não se ama mais alguém não é possível ficar com ela certo? Vocês querem encontrar outra pessoa que possam te entender e te amar e que você possa amá-la. Sem problemas. Agora com sua licença, vou dormir.
Fazia 7 dias exatamente que o pai sairá de casa, e esse mesmo tempo que sua mãe se trancava no quarto toda a noite e chorava por meia hora dizendo que seu pai era um canalha. E fazia 7 dias que Estela não sai de casa assim como Josh que ficava o dia inteiro ao lado da piscina olhando para o seu próprio reflexo e a foto de família no casamento de uma de nossas primas, há 2 anos.
Estela não chorara nada por causa da separação, sabia que tinha de ser forte agora não só por seu irmão, mas por sua mãe.
- Estela! – sua mãe gritava do andar de baixo. – Venha logo tomar o café! Você vai se atrasar para aula.
“Dani-se a aula. Não quero que as pessoas dessa cidade, que por acaso é do tamanho da minha unha, sintam pena de mim.“ Estela pegou sua mochila, seu caderninho e uma bolsa que seu pai dera no seu ultimo aniversario. Pela primeira vez em dias ligou seu celular, que logo foi bombardeado de mensagem de Sá e Tatá, suas duas melhores amigas, mas que evitara falar desde que recebeu a noticia de separação de seus pais.
Assim que chegou a seu colégio Sá e Tatá vieram ao seu encontro perguntando o que havia acontecido, se ela estava bem.
- Meus pais tão se separando.
Foi à única resposta que Estela deu, nesse instante Sá e Tatá pararam e ficaram em choque. Estela sabia que no fim das aulas todos já saberiam, porque as fofocas corriam rápidas pela cidadezinha do interior que eles havia se mudado há dois anos por causa do negocio imobiliário que sua mãe abrirá e que estava dando muito dinheiro.
Nenhuma das meninas correu até ela, sabiam que Estela precisava de um tempo para si mesma, porque já haviam visto outras pessoas se separarem e viram a repercussão desse problema nos filhos. Não que fosse comum isso ocorrer na cidade, mas ocorria e sabia que logo as pessoas iriam falar com ela.
O dia custou a passar de todos os cantos se podia ouvir cochichos sobre a separação. Afinal, seus pais eram importantes na cidade. Sua mãe era dona de uma grande imobiliária e seu pai o melhor advogado. As aulas pareciam se arrastar e tudo que Estela fazia era olhar para os passarinhos que cantavam do lado de fora da janela contentes, invejando sua alegria com o dia que estava maravilhoso do lado de fora, mas com um frio que sempre fazia nessa época do ano. Ela adorava esses dias com sol e frio, mas hoje isso não condizia com o seu humor, queria que chovesse, assim como em seu interior chovia torrencialmente.
No almoço alguns dos professores vieram fala com ela sobre a separação dos pais, não queria ouvir, mas não queria desrespeitar e entristecer os professores que estava sendo legais. Até que chegou um ponto que não conseguia agüentar mais e precisava chorar, precisava se acabar em lagrimas, colocar toda aquela angustia, tristeza e dor para fora se não iria explodir.
Então ela sentiu uma mão segurar a sua e puxá-la para trás e a pessoa pedia desculpas para os professores, mas ele precisava falar com ela urgentemente.
O tal menino a levou para longe das pessoas e quando pararam ela olhou para cima querendo saber quem era seu salvador. Era Luke. Estela se surpreendeu. Ele era um garoto fechado que acabara de entrar na escola, não falava com ninguém a não ser com Alan.
Alan era o exato, ou quase, oposto de Luke. Ele era baixinho, se gostasse de você não parava de falar. Tinha cabelos cacheados e loiros, olhos castanhos e usava um óculos tão grande para a carinha minúscula dele que o deixava com um ar engraçado. Estela gostava muito de Alan, mas às vezes se irritava porque ele não parava de falar se quer um minuto.
Luke era maravilhoso, uma parte da serie, os meninos, não gostava muito dele porque ele tinha um ar de superioridade, pelo menos era o que falavam, mas a outra metade, as meninas, se derretia por ele. Luke tinha 1,80m um corpo de se admirar, ele era o principal do time de natação do colégio, seu cabelo era liso e castanho jogado para o lado. Seus olhos azuis tão claros quanto à água da piscina. Sua expressão era sempre seria e parecia estar sempre alerta e usava uma camiseta de alguma banda com uma jaqueta preta por cima, com um jeans surrado e uma bota.
Estela estava tão perplexa com a beleza e com a atitude dele que não conseguia falar nem se mexer, ela apenas o fitava nos olhos e ele sustentava o olhar dela.
- De nada. – ele disse.
Estela arregalou os olhos surpresa por ouvi-lo falar. Luke logo reparou na surpresa que Estela tivera.
- Sim, eu falo. Não costumo, mas eu ainda sei falar. – ele parou por um instante esperando alguma resposta. – Já que você não consegue falar e eu não curto fazer um monologo como Alan, vou embora.
Ele se curvou e deu um beijinho no rosto de Estela. Quando ele fez isso ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro, seu rosto começar a esquentar e suas pernas ficarem moles. “Não! Ele só foi cavalheiro. Não goste dele, ele é estranho.” Estela se repreendia mentalmente.
Depois que ele entrou no prédio que dava para as quadras Estela saiu de transe e recuperou todos os seus sentidos novamente. Olhou para trás e viu alguns grupos de pessoas que há viram falando com Luke cochicharem alguma coisa.
Estela se sentia culpada e idiota por não falar nada para Luke, e o pior, estava perturbada por parecer uma retardada para ele. Então ela entrou no prédio, mas não sabia em qual andar parar, pensou então como era a personalidade de Luke, ficar longe de todos e foi em direção a ultima quadra, no topo do edifício, que estava interditada havia tempos.
- Luke! – ela o chamou da porta quando o viu sentado na arquibancada coberta.
Ele levantou os olhos e depois voltou a olhar para o IPod que estava em suas mãos. Estela ficou um pouco insegura do que fazer mais foi em direção a arquibancada e parou na grade.
- Desculpe por te deixar falando sizinho, mas é que eu nunca o ouvi falar e isso me deixou um pouco.
- Assustada? – ele levantou uma das sobrancelhas e riu sarcasticamente. – É eu reparei sim.
- Não foi o que eu quis dizer.
- Então você se atemorizou?
- Eu o que? – Estela estava confusa. Mas Luke estava rindo baixinho consigo mesmo.
- Atemorizar, causar temor. Temor.
- Medo ou receio. – Completou a frase de Luke. – Entendi. Não eu só fiquei surpresa, como estou agora para falar a verdade.
- Vá embora. Quero um pouco de paz.
Luke a estava desafiando a ficar com ele, queria saber se ela seria mais uma daquelas pessoas que olham para ele e acham que ele vai matá-la. Surpreendentemente Estela gostou dele a ter desafiado, então ela sentou-se no chão e pegou o seu caderninho e um lápis e começou a desenhar a arquibancada.
- Se você não vai embora então sente na arquibancada. – ele disse calmamente.
- Por quê? Está um dia lindo aqui.
- Não por muito tempo, daqui a pouco vai chover.
- Não foi o que disse na previsão do tempo.
- Que pena, eles erraram de novo. Daqui á alguns minutos vai chover.
- Você não disse que queria paz? Agora quem quer paz sou eu posso?
Luke riu satisfeito e Estela continuou a desenhar. Sempre que Estela levantava os olhos via que Luke a fitava, de uma maneira curiosa como se procurasse entende-la, entender porque ela estaria ali e com ele. Porque ela o seguira.
Quando Estela começou a desenhar a parte em que Luke estava sentado começou a chover sem aviso nenhum e uma chova forte. O pouco tempo que ela demorou para pegar o caderninho no chão, se levantar e chegar na grade da arquibancada já estava toda molhada.
Ela se sentou longe de Luke para não perturbá-lo e começou a analisar o estrago que se teve do caderninho.
- Eu avisei. Você não me escutou.
Luke se levantou e se sentou ao lado de Estela.
- Agora você esta toda molhada e seu caderno ensopado.
- Não me amola. – Estela estava feliz por ele ter se sentado ao seu lado, mas odiava quando as pessoas falavam “Eu avisei”.
Estela estava começando a ficar com frio, mesmo estando sol estava molhada e havia um vento que soprava fraco a fazendo ficar gelada, seus lábios passaram de rosa para roxos e seu cabelos estava liso e despenteado. Ela tirou o casaco e o torceu para ver se conseguia tirar toda a água e o deixou secando, mas agora ela estava com mais frio, então pegou o casaco e quando foi colocá-lo Luke o puxou de sua mão.
- Não. Você vai ficar com frio do mesmo jeito. – ele tirou a sua jaqueta e a passou pelo ombro de Estela. – Fique com ela até a chuva passar.
- Brigada. – ela sorriu envergonhada.
A jaqueta estava com o cheiro de Luke, ele tinha um cheiro maravilhoso. Ela fechou os olhos para que conseguisse absorver aquele cheiro e aquele momento para sempre.
- Seus pais se separaram não é?
Estela abriu os olhos e o fitou. Ele estava olhando para suas mãos que estavam fechadas sobre a calça.
- Sim. – A garganta de Estela estava se fechando e sabia que daqui a pouco começariam a chorar.
- Acho que já falaram que é melhor eles se separarem do que continuarem brigando.
Estela concordou com a cabeça. A vontade de chorar estava crescendo de pouco em pouco.
- Mas pelo menos você viveu uma época boa com eles, quando seu irmão nasceu eles gostavam um do outro, tenho certeza que até pouco tempo atrás eles se amavam como quando disseram “sim” na igreja.
Estela o olhou novamente, agora ele se concentrava nela, ele parecia saber do que falava.
- Sei que você está com vontade de chorar, só não chora porque quer parecer forte, mas confie em mim. Chorar nessa hora é a melhor coisa para se desabafar.
Os olhos de Estela começaram a se encher de lágrimas, após dias agüentando esse sufoco para não chorar ela chorou. Lagrimas caiam de seus olhos sem parar, ela tentou segurar.
- Desculpe, mas acho melhor eu ir. – Estela deixou a jaqueta no colo de Luke e saiu correndo pela arquibancada.
- Não espere! – Luke se levantou e foi atrás de Estela.
Ele a alcançou facilmente. Luke se colocou na frente de Estela que parou e sentou-se no chão molhado e sob a chuva, agora ambos estava encharcados.
- Te. – Luke se ajoelhou na frente dela. Estela o olhou, ele dera a ela um apelido, mas ela estava triste de mais para pensar nisso. – Chora, desabafa. Daqui a pouco tudo vai ficar melhor.
Luke colocou cada uma de suas mãos no ombro de Estela. Ela então apoiou a sua cabeça no peito de Luke.
- Desculpa por você estar vendo isso. Não era para eu chorar na frente de ninguém, muito menos na sua.
- Não precisa se desculpar, Te.
Quando a chuva parou Estela e Luke ainda estavam no chão e ela ainda chorava e Luke a abraçava. Então eles ouviram a porta se abrir e dela saíram Sá e Tatá, elas pararam bruscamente e ficaram olhando para os dois, encharcados no chão. Luke e Estela rapidamente se separaram e se levantaram do chão.
-Mais o que? – Tatá apontou para Luke e depois para Estela e vice-versa.
- Foi bom conversar Estela. Até mais.
Luke saiu quase que correndo da quadra e quando passou pelas meninas deu oi e foi embora.
Estela secou o rosto com a mão, ou pelo menos tentou. E foi ao encontro das amigas com um levo sorriso no rosto.
- Mas o que aconteceu aqui Estela! – Sá sorriu maliciosamente para Estela que apenas sorriu de volta e começou a descer as escadas. – Estela! Espera! – Sá gritou da quadra.
- Estela! – Ambas gritaram juntas.
Estela saiu correndo e rindo do prédio e deu de cara com Alan e abriu um sorriso de verdade, daquele jeito que ela não sorria a tempos.
- Oi. – disse Alan envergonhado.
- Olá Alan! – Estela deu um beijo na bochecha de Alan. – Dia bonito não? – Alan enrubesceu, parecia um pimentão.
- Mas seus pais não estão se separando?
Estela já estava correndo em direção ao prédio onde seu irmão estudava, já estava na hora de pegá-lo para ir para casa.
- Estão! – Estela gritou para Alan.
Nunca entendi muito bem o amor. Todos falam que amar é bom, nos deixa feliz e com os olhos brilhando, é a coisa mais próxima que tempos da magia. Entretanto também falam que sem dor não há o amor, mas isso é um total paradoxo, porque se for assim nós queremos sofrer porque queremos amar, ou seja, sentir algo muito bom.
E também dizem que quando você se apaixona nunca mais vai pensar em outra mulher ou homem, você vai amá-la para todo sempre é o que dizem na igreja “até que a morte os separe” e você olha nos olhos de seu amor e responde “sim”. Agora que entender então porque as pessoas se divorciam?
Era isso que se passava na cabeça de Estela, uma garota de 16 anos, ruiva com os cabelos perfeitamente cacheados que caiam pelos seus olhos indo até sua cintura, olhos verdes cor de esmeralda. Sua boca era carnuda e parecia ter sido desenhada e pintada de uma cor rosa claro e em seu rosto tinha algumas sardinhas espalhadas em cima de seu nariz e algumas em sua bochecha.
Lágrimas escorriam pelos seus olhos se dirigindo algumas vezes até sua boca e outras delineavam suas maçãs do rosto e iam até o fim de seu queixo delicado e caiam em cima de seu caderno, onde neste escrevia sobre suas alegrias, duvidas e, de agora em diante, suas tristezas.
Estela estava deitada em sua cama com o caderninho ao seu lado para poder escrever e a sua frente colocara três fotos que a fizera ver como tinha pistas por todos os lados e apenas ela não quis ver.
Em uma das fotos tinha o nascimento de seu irmãozinho, Josh, aquele dia ela se lembrava bem, mesmo tempo apenas 4 anos de idade.
Sua mãe engravidara por sua causa, Estela queria um irmãozinho ou uma irmãzinha assim como muitos de seus amigos no colégio. Ela não se importava de ter de dividir a atenção de seus pais com ele, ela até ajudaria a mãe a contar historias para o bebê.
Na foto estava ela, ao lado da cama de hospital com a mãe deitada nela. Sua mãe, Rosa, era loira de olhos cor de mel com cabelos cacheados como o de Estela e tinha 1,70m e bem magrinha. Do outro lado da cama estava seu pai, Otavio, ele era ruivo assim como a filha, seus cabelos eram lisos e seus olhos eram verdes com um pouco de mel e tinha um sorriso maravilhoso.
Seus pais se olhavam apaixonadamente e Estela olhava para Josh, que dormia no colo de sua mãe. Quem havia tirado a foto da família tinha sido uma das enfermeiras que logo ficara amiga de Rosa.
Na segunda foto era no10 aniversário de Estela, ela estava vertida como a Bela, de Walt Disney, e ao seu lado estava seu irmãozinho, com 6 anos, que a ajudava a apagar as velas do bolo. Mas agora seus pais estavam sorrindo, mas era um sorriso forcado e sem vida, porém estavam abraçados.
Já na ultima foto, que havia sido tirada há apenas 6 meses, Rose e Otavio estavam um de cada lado dos filhos, que estava no meio, e abraçavam um deles, como se o quisesse para si e o outro quisesse pegá-lo.
Estas fotos foram só um aviso, Estela dizia a si mesmo. Aqueles últimos 6 anos foram feitos de falso amor entre seus pais, nas fotos já estava bem explicito o que iria acontecer, ou melhor, o que aconteceu.
Não consegui tirar da cabeça à noite em que eles contaram para ela a verdade.
Era a ultima semana de férias, as melhores que ela já tivera. Ela se preparava para dormir quando seu pai a chamou para ter uma conversa com ela na sala.
Chegando lá viu que sua mãe estava com uma expressão seria no rosto e com uma expressão de choro sentada no sofá. Seu pai estava andando de um lado ao outro da sala de visitas, ele parecia nervoso como se procurasse as palavras certas a dizer. Algo ruim acontecera, disso Estela tinha certeza.
- O que acontece? – Estela perguntou com os olhos vidrados no pai e na mãe.
- Não sei muito bem como falar isso para ela, Rosa.
Estranho, seu pai nunca chamava sua mãe de Rosa, à menos que eles estivesse bravo.
- Meu anjo. – começou sua mãe. – sente-se aqui ao meu lado. – assim que Estela sentou sua mãe continuou. – Seu pai e eu estamos passando por uma situação difícil e infelizmente isso irá te afetar. Estamos nos desentendendo muito.
Estela nunca os ouviu gritarem nem os viu discutindo.
- Assim resolvemos que seria melhor nós nos separarmos.
Quando sua mãe disse aquela ultima palavra Estela ficou em choque, “separarmos” isso ficava ecoando em sua cabeça. Ela logo buscou o significa daquela palavra, para ver se podia ser mesmo verdade ou era só outra troca de palavras “Aquilo que separa; Afastamento; Cessação de amizade; Quebra de união conjugal.” Não esta tudo errado, não podia estar acontecendo, mas ela sabia que nada poderia ser feito.
Ela não podia chorar, tinha 16 anos e tinha que agir como uma adulta, tinha que ser forte, se não fosse por ela, que fosse pelo seu irmãozinho com 12 anos. Deixe que ele chore, Estela pensou, ela chorará por nós dois.
Aquela situação no mundo de hoje não era incomum, tinha amigos com pais separados, mas ser a pessoa que tem pais separados é diferente do que apenas saber que existe. Vivenciar é diferente se saber.
Uma lagrima escorrera pelos olhos de Estela. Ela então se levantou, deu um abraço em sua mãe, seu pai.
- Entendo. Quando não se ama mais alguém não é possível ficar com ela certo? Vocês querem encontrar outra pessoa que possam te entender e te amar e que você possa amá-la. Sem problemas. Agora com sua licença, vou dormir.
Fazia 7 dias exatamente que o pai sairá de casa, e esse mesmo tempo que sua mãe se trancava no quarto toda a noite e chorava por meia hora dizendo que seu pai era um canalha. E fazia 7 dias que Estela não sai de casa assim como Josh que ficava o dia inteiro ao lado da piscina olhando para o seu próprio reflexo e a foto de família no casamento de uma de nossas primas, há 2 anos.
Estela não chorara nada por causa da separação, sabia que tinha de ser forte agora não só por seu irmão, mas por sua mãe.
- Estela! – sua mãe gritava do andar de baixo. – Venha logo tomar o café! Você vai se atrasar para aula.
“Dani-se a aula. Não quero que as pessoas dessa cidade, que por acaso é do tamanho da minha unha, sintam pena de mim.“ Estela pegou sua mochila, seu caderninho e uma bolsa que seu pai dera no seu ultimo aniversario. Pela primeira vez em dias ligou seu celular, que logo foi bombardeado de mensagem de Sá e Tatá, suas duas melhores amigas, mas que evitara falar desde que recebeu a noticia de separação de seus pais.
Assim que chegou a seu colégio Sá e Tatá vieram ao seu encontro perguntando o que havia acontecido, se ela estava bem.
- Meus pais tão se separando.
Foi à única resposta que Estela deu, nesse instante Sá e Tatá pararam e ficaram em choque. Estela sabia que no fim das aulas todos já saberiam, porque as fofocas corriam rápidas pela cidadezinha do interior que eles havia se mudado há dois anos por causa do negocio imobiliário que sua mãe abrirá e que estava dando muito dinheiro.
Nenhuma das meninas correu até ela, sabiam que Estela precisava de um tempo para si mesma, porque já haviam visto outras pessoas se separarem e viram a repercussão desse problema nos filhos. Não que fosse comum isso ocorrer na cidade, mas ocorria e sabia que logo as pessoas iriam falar com ela.
O dia custou a passar de todos os cantos se podia ouvir cochichos sobre a separação. Afinal, seus pais eram importantes na cidade. Sua mãe era dona de uma grande imobiliária e seu pai o melhor advogado. As aulas pareciam se arrastar e tudo que Estela fazia era olhar para os passarinhos que cantavam do lado de fora da janela contentes, invejando sua alegria com o dia que estava maravilhoso do lado de fora, mas com um frio que sempre fazia nessa época do ano. Ela adorava esses dias com sol e frio, mas hoje isso não condizia com o seu humor, queria que chovesse, assim como em seu interior chovia torrencialmente.
No almoço alguns dos professores vieram fala com ela sobre a separação dos pais, não queria ouvir, mas não queria desrespeitar e entristecer os professores que estava sendo legais. Até que chegou um ponto que não conseguia agüentar mais e precisava chorar, precisava se acabar em lagrimas, colocar toda aquela angustia, tristeza e dor para fora se não iria explodir.
Então ela sentiu uma mão segurar a sua e puxá-la para trás e a pessoa pedia desculpas para os professores, mas ele precisava falar com ela urgentemente.
O tal menino a levou para longe das pessoas e quando pararam ela olhou para cima querendo saber quem era seu salvador. Era Luke. Estela se surpreendeu. Ele era um garoto fechado que acabara de entrar na escola, não falava com ninguém a não ser com Alan.
Alan era o exato, ou quase, oposto de Luke. Ele era baixinho, se gostasse de você não parava de falar. Tinha cabelos cacheados e loiros, olhos castanhos e usava um óculos tão grande para a carinha minúscula dele que o deixava com um ar engraçado. Estela gostava muito de Alan, mas às vezes se irritava porque ele não parava de falar se quer um minuto.
Luke era maravilhoso, uma parte da serie, os meninos, não gostava muito dele porque ele tinha um ar de superioridade, pelo menos era o que falavam, mas a outra metade, as meninas, se derretia por ele. Luke tinha 1,80m um corpo de se admirar, ele era o principal do time de natação do colégio, seu cabelo era liso e castanho jogado para o lado. Seus olhos azuis tão claros quanto à água da piscina. Sua expressão era sempre seria e parecia estar sempre alerta e usava uma camiseta de alguma banda com uma jaqueta preta por cima, com um jeans surrado e uma bota.
Estela estava tão perplexa com a beleza e com a atitude dele que não conseguia falar nem se mexer, ela apenas o fitava nos olhos e ele sustentava o olhar dela.
- De nada. – ele disse.
Estela arregalou os olhos surpresa por ouvi-lo falar. Luke logo reparou na surpresa que Estela tivera.
- Sim, eu falo. Não costumo, mas eu ainda sei falar. – ele parou por um instante esperando alguma resposta. – Já que você não consegue falar e eu não curto fazer um monologo como Alan, vou embora.
Ele se curvou e deu um beijinho no rosto de Estela. Quando ele fez isso ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro, seu rosto começar a esquentar e suas pernas ficarem moles. “Não! Ele só foi cavalheiro. Não goste dele, ele é estranho.” Estela se repreendia mentalmente.
Depois que ele entrou no prédio que dava para as quadras Estela saiu de transe e recuperou todos os seus sentidos novamente. Olhou para trás e viu alguns grupos de pessoas que há viram falando com Luke cochicharem alguma coisa.
Estela se sentia culpada e idiota por não falar nada para Luke, e o pior, estava perturbada por parecer uma retardada para ele. Então ela entrou no prédio, mas não sabia em qual andar parar, pensou então como era a personalidade de Luke, ficar longe de todos e foi em direção a ultima quadra, no topo do edifício, que estava interditada havia tempos.
- Luke! – ela o chamou da porta quando o viu sentado na arquibancada coberta.
Ele levantou os olhos e depois voltou a olhar para o IPod que estava em suas mãos. Estela ficou um pouco insegura do que fazer mais foi em direção a arquibancada e parou na grade.
- Desculpe por te deixar falando sizinho, mas é que eu nunca o ouvi falar e isso me deixou um pouco.
- Assustada? – ele levantou uma das sobrancelhas e riu sarcasticamente. – É eu reparei sim.
- Não foi o que eu quis dizer.
- Então você se atemorizou?
- Eu o que? – Estela estava confusa. Mas Luke estava rindo baixinho consigo mesmo.
- Atemorizar, causar temor. Temor.
- Medo ou receio. – Completou a frase de Luke. – Entendi. Não eu só fiquei surpresa, como estou agora para falar a verdade.
- Vá embora. Quero um pouco de paz.
Luke a estava desafiando a ficar com ele, queria saber se ela seria mais uma daquelas pessoas que olham para ele e acham que ele vai matá-la. Surpreendentemente Estela gostou dele a ter desafiado, então ela sentou-se no chão e pegou o seu caderninho e um lápis e começou a desenhar a arquibancada.
- Se você não vai embora então sente na arquibancada. – ele disse calmamente.
- Por quê? Está um dia lindo aqui.
- Não por muito tempo, daqui a pouco vai chover.
- Não foi o que disse na previsão do tempo.
- Que pena, eles erraram de novo. Daqui á alguns minutos vai chover.
- Você não disse que queria paz? Agora quem quer paz sou eu posso?
Luke riu satisfeito e Estela continuou a desenhar. Sempre que Estela levantava os olhos via que Luke a fitava, de uma maneira curiosa como se procurasse entende-la, entender porque ela estaria ali e com ele. Porque ela o seguira.
Quando Estela começou a desenhar a parte em que Luke estava sentado começou a chover sem aviso nenhum e uma chova forte. O pouco tempo que ela demorou para pegar o caderninho no chão, se levantar e chegar na grade da arquibancada já estava toda molhada.
Ela se sentou longe de Luke para não perturbá-lo e começou a analisar o estrago que se teve do caderninho.
- Eu avisei. Você não me escutou.
Luke se levantou e se sentou ao lado de Estela.
- Agora você esta toda molhada e seu caderno ensopado.
- Não me amola. – Estela estava feliz por ele ter se sentado ao seu lado, mas odiava quando as pessoas falavam “Eu avisei”.
Estela estava começando a ficar com frio, mesmo estando sol estava molhada e havia um vento que soprava fraco a fazendo ficar gelada, seus lábios passaram de rosa para roxos e seu cabelos estava liso e despenteado. Ela tirou o casaco e o torceu para ver se conseguia tirar toda a água e o deixou secando, mas agora ela estava com mais frio, então pegou o casaco e quando foi colocá-lo Luke o puxou de sua mão.
- Não. Você vai ficar com frio do mesmo jeito. – ele tirou a sua jaqueta e a passou pelo ombro de Estela. – Fique com ela até a chuva passar.
- Brigada. – ela sorriu envergonhada.
A jaqueta estava com o cheiro de Luke, ele tinha um cheiro maravilhoso. Ela fechou os olhos para que conseguisse absorver aquele cheiro e aquele momento para sempre.
- Seus pais se separaram não é?
Estela abriu os olhos e o fitou. Ele estava olhando para suas mãos que estavam fechadas sobre a calça.
- Sim. – A garganta de Estela estava se fechando e sabia que daqui a pouco começariam a chorar.
- Acho que já falaram que é melhor eles se separarem do que continuarem brigando.
Estela concordou com a cabeça. A vontade de chorar estava crescendo de pouco em pouco.
- Mas pelo menos você viveu uma época boa com eles, quando seu irmão nasceu eles gostavam um do outro, tenho certeza que até pouco tempo atrás eles se amavam como quando disseram “sim” na igreja.
Estela o olhou novamente, agora ele se concentrava nela, ele parecia saber do que falava.
- Sei que você está com vontade de chorar, só não chora porque quer parecer forte, mas confie em mim. Chorar nessa hora é a melhor coisa para se desabafar.
Os olhos de Estela começaram a se encher de lágrimas, após dias agüentando esse sufoco para não chorar ela chorou. Lagrimas caiam de seus olhos sem parar, ela tentou segurar.
- Desculpe, mas acho melhor eu ir. – Estela deixou a jaqueta no colo de Luke e saiu correndo pela arquibancada.
- Não espere! – Luke se levantou e foi atrás de Estela.
Ele a alcançou facilmente. Luke se colocou na frente de Estela que parou e sentou-se no chão molhado e sob a chuva, agora ambos estava encharcados.
- Te. – Luke se ajoelhou na frente dela. Estela o olhou, ele dera a ela um apelido, mas ela estava triste de mais para pensar nisso. – Chora, desabafa. Daqui a pouco tudo vai ficar melhor.
Luke colocou cada uma de suas mãos no ombro de Estela. Ela então apoiou a sua cabeça no peito de Luke.
- Desculpa por você estar vendo isso. Não era para eu chorar na frente de ninguém, muito menos na sua.
- Não precisa se desculpar, Te.
Quando a chuva parou Estela e Luke ainda estavam no chão e ela ainda chorava e Luke a abraçava. Então eles ouviram a porta se abrir e dela saíram Sá e Tatá, elas pararam bruscamente e ficaram olhando para os dois, encharcados no chão. Luke e Estela rapidamente se separaram e se levantaram do chão.
-Mais o que? – Tatá apontou para Luke e depois para Estela e vice-versa.
- Foi bom conversar Estela. Até mais.
Luke saiu quase que correndo da quadra e quando passou pelas meninas deu oi e foi embora.
Estela secou o rosto com a mão, ou pelo menos tentou. E foi ao encontro das amigas com um levo sorriso no rosto.
- Mas o que aconteceu aqui Estela! – Sá sorriu maliciosamente para Estela que apenas sorriu de volta e começou a descer as escadas. – Estela! Espera! – Sá gritou da quadra.
- Estela! – Ambas gritaram juntas.
Estela saiu correndo e rindo do prédio e deu de cara com Alan e abriu um sorriso de verdade, daquele jeito que ela não sorria a tempos.
- Oi. – disse Alan envergonhado.
- Olá Alan! – Estela deu um beijo na bochecha de Alan. – Dia bonito não? – Alan enrubesceu, parecia um pimentão.
- Mas seus pais não estão se separando?
Estela já estava correndo em direção ao prédio onde seu irmão estudava, já estava na hora de pegá-lo para ir para casa.
- Estão! – Estela gritou para Alan.